Tendo como ideal de vida a simplicidade dos Lírios dos campos, conflita-se com as obrigações impostas. Sonhara em ser leve, sem tantas programações para o amanhã e sem reminiscências do vento que soprava noutros tempos vividos. A briga é dura, cruel, lados antagônicos em um mesmo ser. De vez em quando some, recolhe-se em si mesma assumindo o risco de ser esquecida. E confirma o esquecimento na demora da reconstrução de laços que se quebram na trama no momento da fuga e na saída viável que enxerga para se recompor e não interromper o fluxo. Mas, fugir para onde, fugir de quem ou do quê? Sabe que caminho feito é experiência passada, contudo, alucina-se, desejando mudar-se de si mesma. Sente que já é tarde... a noite escapando pelos dedos tumultua o barulhento silêncio que alimenta a insônia. Aventureira no signo, seu nome é mulher, ANA-cheia de graça-Ana-Jana-Juliana-Mariana-Cristiana-Marciana-Tarciana-Viridiana-Poliana-Jordana-Ana, mulher cheia da graça e da garra de ter feito caminhos. Abrindo suas janelas, percebe-se de novo, inspirando o doce balançar das árvores trazendo leveza ao carregado silêncio, e, com prazer, acolhe o irmão que se aproxima. O irmão que sendo forte e bravo, se faz brisa na madrugada, acalma seus pensamentos e sopra suave, refrescando seu sono e anunciando um novo começo. Já já é dia, mulher. Novo dia.